O objecto da psicologia é o estudo científico do comportamento (reacções observáveis) e os processos mentais e da relação entre eles (sentimentos, emoções, fantasias – não podem ser observáveis directamente). A psicologia estuda questões ligadas à personalidade, à memória, à inteligência, ao funcionamento do sistema nervoso, ao comportamento em grupo, ao prazer e à dor…

“Os psicólogos não se limitam à descrição do comportamento. Vão mais além: procuram explicá-lo, prevê-lo e, por último, modificá-lo para melhorar a vida das pessoas e da sociedade em geral.”

A psicologia como ciência independente nos finais do século XIX, quando Wundt funda o primeiro Laboratório de Psicologia Experimental, na Alemanha.

Wundt e o Associacionismo

Wundt vai procurar decompor a mente, a consciência (objectivo), nos seus elementos simples, que são as sensações. Ele defende que os processos mentais, não são mais do que a organização de sensações elementares que se associam, procurando relacioná-las com a estrutura do sistema nervoso.

Para Wundt, o objectivo da psicologia é o estudo da mente, dos processos mentais, da experiência consciente do Homem. No laboratório vai procurar conhecer os elementos constitutivos da consciência, a forma como se relacionam e associam(associacionismo).

Wundt utiliza como método a introspecção controlada (os sujeitos descrevem o que os seus estados subjectivos resultantes de estímulos visíveis, tácteis, etc. ou seja a analise interior feito pelo próprio sujeito – porque é feito em laboratório e uma 3ª pessoa analisa e interpreta aquilo que o sujeito diz as suas sensações). Através da introspecção, os sujeitos experimentais descreviam o que sentiam, os seus estados subjectivos, resultantes de estímulos visuais, auditivos e tácteis.

Wundt com colegas utilizou um metrónomo para descrever as sensações antes (tensão), durante (excitação) e após as batidas (agradável sensação).

A psicologia teria como objectivo a experiência humana, estudada na perspectiva das experiências pessoais através da auto-observação, visando conhecer os seus elementos constituintes: as sensações.

Pavlov e a reflexologia

Pavlov através de uma experiência com um cão, chegou a conclusão de que não só os animais mas também os humanos tinham reflexos inatos e que podiam desenvolver reflexos aprendidos. No decorrer desta experiência sobre os reflexos digestivos , verifica que o cão salivava não só quando via o alimento - reflexo inato - , também perante outros sinais com eles associados, como, por exemplo, os passos do tratador e o som da campainha. Designou este comportamento por reflexos condicionados.

Para Pavlov o espírito não é mais do que uma actividade do cérebro e que é no córtex cerebral que se formam, modificam e desaparecem os reflexos condicionados.

A psicologia devia de tomar o nome de reflexologia, circunscrever-se-ia ao estudo dos reflexos. Os reflexos seriam o fundamento das respostas dos indivíduos aos estímulos provenientes do meio.

Pavlov vai explicar os processos de aprendizagem, destacando-se o estudo sobre a aquisição da linguagem.

Watson e o Behaviorismo

Watson é o pai da psicologia científica, pois cortou com todo o seu passado – concepção e método – e construiu um ramo objectivo experimental da ciência. Watson não nega a existência da consciência, nem a possibilidade de o indivíduo se auto-observar. Defende, contudo, que a análise dos estudos de espírito, bem como a procura das suas causas, só pode interessar ao sujeito no âmbito da sua vida pessoal.

Watson, acha que se pode estudar directamente o comportamento observável, isto é, a resposta (.R) de um indivíduo a um dado estímulo(E) do ambiente.

O psicólogo tenta decompor o seu objecto – o comportamento – nos seus elementos e explicá-los de forma objectiva. Deve recorrer ao método experimental.

Esta concepção de psicologia designa-se por behaviorismocomportamentalismo, condutismo ou teoria do comportamento.

Noção de Comportamento

Para Watson, a psicologia deveria estudar o comportamento do ser humano desde o nascimento até que morre.

O estudo do comportamento consiste em estabelecer as relações entre os estímulos (conjunto de excitações que agem sobre o organismo, podendo ser qualquer elemento do meio externo – raios luminosos, ondas sonoras – ou modificações internas do organismo – movimentos dos músculos, secreções das glândulas) e as respostas (explicitas – directamente observáveis; implícitas – :não directamente observáveis):

Isto é, para o mesmo estímulo obtemos sempre a mesma resposta

O comportamento é determinado por um conjunto complexo de estímulos que se designa por situação. Para o comportamentalismo, a resposta é tudo o que o animal ou ser humano faz.

O comportamento, isto é, o conjunto de respostas objectivamente observáveis, é determinado por um conjunto complexo de estímulos (situação) provenientes do meio físico ou social em que o organismo se insere.

A resposta está condicionada pela situação ou estímulo

Watson não nega que entre o estímulo e a resposta se passe algo no interior do sujeito. Considerava, contudo, que tal não é objecto da psicologia.

Embora não negue a existência de factores hereditários – para ele, irrelevantes na formação da personalidade do indivíduo.

Para Watson o meio é o factor determinante na personalidade e atitudes, isto é, condiciona o indivíduo.

Conclusão: Segundo os behavioristas, o comportamento do ser humano e o seu desenvolvimento dependem totalmente do meio em que o sujeito se encontra inserido. O sujeito tem um papel passivo no processo de conhecimento e desenvolvimento.

Críticas

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deixar de parte a hereditariedade, porque por exemplo um deficiente , quando nasce não é deficiente pelo o que fez mas pelo factor hereditário.

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A formula E è R muitas condutas ficam por explicar. Por exemplo, a reacção desencadeada pela sede, eu não bebo porque vejo água mas porque à uma situação interna do meu organismo que desencadeia um conjunto de comportamentos que me permitem atingir o objectivo: beber.

Köhler e o gestaltismo

O gestaltismo ou psicologia da forma, nasce por oposição à psicologia do séc. XIX e critica Wundt.

Köhler defende que a psicologia deveria decompor os processos conscientes nos seus elementos constituintes e enunciar as leis que regem as suas combinações e relações. Os elementos mais simples seriam as sensações que, associadas, somadas constituiriam a percepção.

Os gestaltistas partem das estruturas, das formas: nós percepcionamos configurações, isto é, conjuntos organizados emtotalidade. A teoria da forma considera a percepção como um todo. Primeiro percepcionam o total depois analisam os elementos ou dos pormenores.

O todo não é a soma das partes – na realidade estas organizam-se segundo determinadas leis. Os elementos constitutivos de uma figura são agrupados espontaneamente. Esta organização é, segundo o gestaltismo, essencialmente inatos.

A organização das nossas percepção será estudada pelos gestaltistas que enunciam um conjunto de leis.

- Lei da proximidade – perante elementos diversos, temos tendência a agrupar aqueles que se encontram mais próximos.

- Lei da semelhança – perante elementos diversos, temos tendência a agrupar por semelhanças.

- Lei da contiguidade – perante algo inacabado, temos tendência a acabar.

Os gestaltistas criticam Watson porque este diz que todo depende do meio e Köhler acha que as ideias são inatas.

Conclusão: segundo esta concepção, o sujeito é resultado das potencialidades transmitidas por hereditariedade. Existiriam estruturas inatas no sujeito que organizariam a experiência do meio ambiente. O meio desempenha um papel pouco relevante no seu desenvolvimento. Os gestaltistas defendem que o sujeito organiza a experiência do meio a partir das estruturas inatas.

Críticas

- Köhler diz que todo depende de estruturas inatas, mas eu acho que a experiência ou aprendizagem pode mudar isso, por exemplo

Freud e a Psicanálise

Até então, a concepção dominante de Homem definia-o como ser racional, que controlava os seus impulsos através da vontade. O consciente, constituído pelas representações presentes na nossa consciência e conhecido pela introspecção, constituía o essencial da vida mental de ser humano.

A grande revolução introduzida por Freud consistiu na afirmação da existência do inconsciente – zona do psiquismo constituída por pulsões, tendências, desejos e medo.

Freud compara o psiquismo humano a um icebergue: a sua parte visível é muito pequena e corresponde ao consciente (imagens, lembranças, pensamento), a parte submersa, que não se vê, do icebergue é a maior e corresponde ao inconsciente, cabendo-lhe um papel determinante no comportamento. O pré-consciente faz a ligação entre o consciente e o inconsciente e corresponde, a zona flutuante de passagem entre a parte visível e a oculta que varia o seu grau de emersão (memórias, fantasias e lembranças).

Recalcamento, defesa do ego que censurar ao enviar para o inconsciente do id as pulsões contrárias às normas do consciente do superego.

Freud formula uma nova teoria das estruturas do aparelho psíquico, onde diz que este se organizava através das instâncias id (regula-se pelo principio do prazer e aparece com o recém-nascido), ego(medidor da realidade externa e como agente da defesa contra a angústia provocada por conflitos internos), superego(directamente envolvido pela realidade e guia-se pelo principio da realidade).

Freud afirmou também que o aparelho psíquico é regido por dois princípios gerais: o princípio do prazer e o princípio da realidade. Ao principio do prazer corresponde o processo primário, que implica uma libertação de energia psíquica sem barreiras, ou seja, à um afastamento da razão guiando-se só pelo prazer ou pela forma mais imediata. O principio da realidade faz com que o aparelho psíquico renuncie à satisfação imediata, em ordem a ter em conta a situação real, garantido um contacto com a realidade.

Sexualidade

A neurologia estavam ligadas a sexualidade, objectivo de múltiplas repressões e obstáculos. A sua origem estaria ligada à experiência traumática ocorrida na infância.

A descoberta da sexualidade infantil levou Freud a modificar as suas noções, distinguindo genital de sexual. A sexualidade não se limita ao acto sexual entre duas pessoas: a sexualidade era toda a actividade pulsional que tende a uma satisfação.

Piaget e o Construtivismo

Piaget vai incidir os seus estudos na área do comportamento intelectual e cognitivo da criança e do adolescente.

Este defende que o conhecimento é um processo dinâmico há permanentemente interacção entre o sujeito e o objecto. Na sua perspectiva, não é possível separar o sujeito do objecto, como não é possível imaginar um organismo vivo independente do meio, este processo de interacção decorre em etapas sequenciais que Piaget designa por estádios de desenvolvimento (sensório-motor vai do nascimento até aos 18 meses; pré-operatório começa com a linguagem e vai até aos 7 anos; operações concretas vai dos 7 aos 12 anos, a criança é capaz de raciocinar sobre objectos manipuláveis; operações formais surge por volta dos 12 anos, a criança é capaz de raciocinar sobre hipóteses, sobre proposições).

Para Piaget, conhecer é agir e transformar os objectos. O conhecimento não se reduz ao simples registo feito pelo sujeito dos dados já organizados no mundo exterior. O sujeito apreende e interpreta o mundo, através das suas estruturas cognitivas. Mas o sujeito não se encontra apetrechado com estruturas inatas. Essas estruturas são formadas graças à actividade do sujeito no contacto com o meio que está em devir permanente. O processo de conhecimento é o processo de construção de estruturas.

Piaget utiliza a observação naturalista para observar naturalmente as pessoas no seu meio, isto é, no meio em estão habituadas a frequentar e o método clínico tenta-se compreender um caso clinico concreto.
Conclusão: o comportamento do indivíduo, a inteligência, resulta de uma construção progressiva do sujeito em interacção com o meio.

Críticas

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os gestaltismo pelo papel passivo que atribuem ao sujeito e por não apresentarem uma perspectiva genética do conhecimento.

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Refuta radicalmente a concepção behaviorista, dado que consiste que o comportamento não pode ser explicado pela formula EèR. O sujeito é activo, atribuindo significados aos estímulos. A uma visão associacionista contrapôs uma concepção construtivista através do processo de assimilação (da experiência à mente)/acomodação (da mente à nova experiência).

Evolução do conceito de comportamento

As situações do dia-a-dia, vividos ou observados por ti servem para pôr em causa o rigoroso determinismo estímulo-resposta defendido pelos behavioristas.

Perante uma mesma situação, é grande a possibilidade de surgirem respostas, reacções diferentes, Por exemplo, quando ocorre um acidente (S), as respostas dos sujeitos que o presenciam não são as mesmas: um pode socorrer a vítima (RI), outro procurar um telefone para pedir assistência (R2), outro, impressionado, afastar-se do local (R3), etc.

Além disso, o mesmo sujeito, perante a mesma situação, pode, em momentos diferentes, comportar-se de forma distinta.

Por outro lado, situações diferentes podem desencadear o mesmo tipo de resposta: uma criança pode chorar (R) porque caiu (Sl), porque a mãe lhe recusou um gelado (S2), porque perdeu um brinquedo (S3)…

Uma das criticas mais contundentes ao conceito dos behavioristas foi apresentado por Piaget que propunha uma interpretação mais dinâmica do comportamento.
Para estes psicólogos, o comportamento é a manifestação de uma Personalidade (P) numa dada situação (S). O esquema explicativo que propõem é mais adequado aos comportamentos humanos, dado que tem em conta quer as determinantes do meio quer a personalidade do sujeito.

O comportamento depende da interacção entre a situação e a personalidade do sujeito.   A dupla seta, reflecte o carácter dinâmico da relação: não se pode encarar a personalidade independentemente da situação. Produto de um processo complexo, no qual intervêm factores internos e externos, a personalidade constrói-se no contexto do meio, nas diferentes situações vividas pelo sujeito. Por outro lado, o modo como a situação é encarada, interpretada, depende também da personalidade e das experiências anteriores do indivíduo.

O que é importante para explicar um comportamento é o modo como o indivíduo integra os dados da situação, tendo em conta a sua personalidade e a sua experiência.

Erikson e a Teoria Psicossocial do Desenvolvimento

Erikson na Teoria Psicossocial do Desenvolvimento, o desenvolvimento evolui em oito estágios. Os primeiros quatro estágios decorrem no período de bebé e da infância, e os últimos três durante a idade adulta e a velhice.

Erikson dá especial importância ao período da adolescência, devido ao facto ser a transição entre a infância e a idade adulta, em que se verificam acontecimentos relevantes para a personalidade adulta.

Cada estágio contribui para a formação da personalidade total (princípio epigenético), sendo por isso todos importantes mesmo depois de se os atravessar. Como cada criança tem um ritmo cronológico específico, não se deve atribuir uma duração exacta a cada estágio. O núcleo de cada estágio é uma crise básica, que existe não só durante aquele estágio específico, nesse será mais proeminente, mas também nos posteriores a nível de consequências, tendo raízes prévias nos anteriores.

Erikson apresentou os estágios em termos de qualidade básica do ego que surge em cada estágio, discutiu as forças do ego que surgem nos estágios sucessivos e descreveu a ritualização peculiar de cada um. Esta era por ele referido como uma maneira lúdica e culturalmente padronizada de experienciar uma vivência na interacção quotidiana de uma comunidade. (Calvin S. Hall; Lindzey Gardner; John B. Campbell, 2000: p.168)

A formação da identidade inicia-se nos primeiros quatro estágios, e o senso desta negociado na adolescência evolui e influencia os últimos três estágios.

Temos então oito estágios de desenvolvimento:

 

1ª Idade: Confiança Básica Versus Desconfiança Básica

 

Nesta idade a criança vai aprender o que é ter ou não confiança, esta está muito relacionada com a relação entre o bebé e a mãe. A confiança básica é demonstrada pelo bebé na capacidade de dormir de forma pacífica, alimentar-se confortavelmente e de excretar de forma relaxada. (Calvin S. Hall; Lindzey Gardner; John B. Campbell, 1998: p.169) Devido à confiança do bebé e à familiaridade com a mãe, que adquire com situações de conforto por ela proporcionadas, atinge uma realização social, que consiste na aceitação em que ela pode ausentar-se e na certeza que ela voltará.

O bebé ganha experiência no contacto com os adultos, aprendendo a confiar e a depender deles, assim como a confiar em si mesmo.

A desconfiança básica é a parte negativa deste estágio, que é equilibrada com a segurança proporcionada pela confiança.

«A razão adequada de confiança e de desconfiança resulta na ascendência da esperança: “A esperança é a virtude inerente ao estado de estar vivo mais primitiva e a mais indispensável”». (Erikson, Apud., Calvin S. Hall; Lindzey Gardner; John B. Campbell, 2000: p.170) Todas as confirmações desta formam-se a partir da relação entre a mãe e o bebé. À medida que o bebé vai adquirindo experiência, ele aprende que as esperanças que um dia eram prioridades, deixam de o ser, sendo superadas por outras de um nível mais elevado.

Este estágio é o da ritualização da divindade, na medida que opera o senso do bebé da presença abençoada da mãe, ao o olhar, tocar, no fundo em reconhecê-lo. São interacções pessoais e culturalmente ritualizadas; a falta do reconhecimento pode trazer alienação na personalidade do bebé, um senso de abandono e separação. A forma pervertida do ritual da divindade materna expressa-se na vida adulta pelo idolismo, em que a pessoa idolatra um herói.

 

2ª Idade: Autonomia Versus Vergonha e Dúvida

 

Durante este estágio a criança vai aprender quais os seus privilégios, obrigações e limitações. Há por ela, uma necessidade de auto-controle e de aceitação do controle por parte das outras pessoas, desenvolvendo-se um senso de autonomia. O versus negativo deste estágio é a vergonha e a dúvida quando perde o senso de auto-controle, os pais contribuem neste processo ao usarem a vergonha na repressão da teimosia.

vontade tem origem na própria vontade treinada e no exemplo dado de vontade superior apresentado pelos outros, esta é responsável pela aceitação progressiva do que é permitido e necessário. Os elementos desta são progressivamente aumentados pelas experiências ao nível da consciência, manipulação, verbalização e locomoção.

A ritualização deste estágio é judiciosa, a criança julga-se a si e aos outros, diferenciando o certo do errado e as pessoas ditas diferentes, formando-se a base ontogenética da alienação humana, a espécie dividida, que Erikson designou como pseudo-espécie, a origem do preconceito humano. O ritualismo perverso é o legalismo, em que a punição vence a compaixão.

 

3ª Idade: Iniciativa Versus Culpa

 

Relativamente ao terceiro estágio estipulado por Erikson, equivale ao estágio psicossexual genital-locomotor, é o da iniciativa. Uma era de crescente destreza e responsabilidade.

Nesta fase a criança encontra-se nitidamente mais avançada e mais organizada tanto a nível físico como mental. É a capacidade de planejar as suas tarefas e metas a atingir que a define como autónoma e por consequência a introduz nesta etapa.

No entanto este estágio define-se também como perigoso, pois a criança busca exaustivamente e de uma forma entusiasta atingir as suas metas que implicam fantasias genitais e o uso de meios agressivos a manipulativos para alcançar a essas metas.

Ela encontra-se num estado de ansiedade porque quer aprender bem e a partir daqui amplia o seu sentido de obrigação e desempenho. A sua principal actividade é o brincar e opropósito é a virtude que surge neste estágio de desenvolvimento. Este chamado propósito define-se como o resultado do seu brincar, das suas tentativas e dos seus fracassos.

Para além dos jogos físicos com os seus brinquedos ela constrói também os chamados jogos mentais tentando imitar os adultos e entrando no mundo do faz de conta. O objectivo deste jogo é tentar perceber até que ponto ela pode ser como eles.

O poder da imaginação e a forma desinibida como o faz é fulcral para o desenvolvimento da criança.

«O propósito, então, é a coragem de imaginar e buscar metas valorizadas não inibidas pela derrota das fantasias infantis, pela culpa e pelo medo cortante da punição ». (Erikson, Apud., Calvin S. Hall; Lindzey Gardner; John B. Campbell, 2000: p.172)                                                                                                           Esta terceira idade, também apelidada por idade de brincar é assinalada pela ritualização dramática.

 

4ª Idade: Diligência Versus Inferioridade

 

Nesta fase a criança necessita controlar a sua imaginação exuberante e dedicar a sua atenção à educação formal. Ela não só desenvolve um senso de aplicação como aprende as recompensas da perseverança e da diligência.

O prazer de brincar, o interesse pelos seus brinquedos são gradualmente desviados para interesses por algo mais produtivo utilizando outro tipo de instrumentos para os seus trabalhos que não são os seus brinquedos.

Também neste estágio existe um perigo eminente que se caracteriza pelo sentimento de inferioridade aquando da sua incapacidade de dominância das tarefas que lhe são propostas pelos pais ou professor.

 

 

Ao longo deste estágio da diligência desponta a virtude de competência, isto porque os estágios anteriores proporcionaram uma visão, embora que não muito nítida, mas futura em relação a algumas tarefas. Nesta fase ela sente-se pronta para conhecer e utilizar os instrumentos e máquinas e métodos para desempenhar o trabalho adulto, trabalho esse que implica responsabilidades como ir à escola, fazer as tarefas de casa, aprender habilidades, de modo a evitar sentimentos de inferioridade.

«A competência, então, é o livre exercício da destreza e da inteligência na conclusão de tarefas, não-prejudicado pela inferioridade infantil». (Erikson,Apud., Calvin S. Hall; Lindzey Gardner; John B. Campbell, 2000: p.172)

«O ritualismo distorcido na idade adulta é o formalismo, que consiste na repetição de formalidades sem significado e em rituais vazios». (Calvin S. Hall; Lindzey Gardner; John B. Campbell, 2000: p.173)

 

5ª Idade: Identidade Versus Confusão/Difusão

 

Como já foi referido na introdução, o quinto estágio ganha contornos diferentes devido à crise psicossocial que nele decorre, ou seja, Identidade Versus Confusão. É de relembrar que o termo crise não tem neste contexto uma acepção dramática, visto tratar-se de a algo pontual e localizado com pólos positivos e negativos,

 

«[…] uma mudança decisiva, um momento agudo de desequilíbrio. A noção está portanto associada às noções da continuidade ou da descontinuidade do desenvolvimento, e à própria validação do conteúdo dos estádios». (Roland Doron; François Parot, 2001: p.196)

 

Esta 5ª idade localiza-se usual e aproximadamente dos 12 aos 18/20 anos, ou seja, na adolescência, puberdade, precisamente na idade em que na vertente positiva, o adolescente vai adquirir uma identidade psicossocial, isto é, compreende a sua singularidade, o seu papel no mundo.

Não se pode encarar os diferentes estágios como estanques isolados, logo as fases anteriores irão deixar marcas que vão influenciar a forma como se vivência esta crise, desembocando uma perspectiva histórica na qual o adolescente se vai perceber e integrar elementos identitários adquiridos nas idades anteriores (Manuela Monteiro; Milice Ribeiro dos Santos, 2001: p.38). Exemplo deste parágrafo é a identidade, que se forma numa continuidade e une as diferentes transformações num processo cumulativo de desenvolvimento.

Neste estágio os indivíduos estão recheados de novas potencialidades cognitivas, exploram e ensaiam estatutos e papéis sociais, devido à sociedade fornecer este espaço de experimentação ao adolescente. É neste âmbito que ressalta um dos conceitos eriksonianos que ajuda a conferir tanta relevância a este estágio, ou seja, a moratória psicossocial.

 

«Esta moratória é um compasso de espera nos compromissos adultos. É um período de pausa necessária a muitos jovens, de procura de alternativas e de experimentação de papéis, que vai permitir um trabalho de elaboração interna». (Manuela Monteiro; Milice Ribeiro dos Santos, 2001: p.56)

 

Sendo assim o adolescente antecipa o seu futuro, explora alternativas, experimenta, dá um tempo. As necessidades pessoais, as exigências socioculturais e institucionais caracterizam a moratória. Segundo o site www.agirweb.com.br/psic/amac/amac.html,

 

«As complicações inerentes ao desenvolvimento da identidade nas sociedades modernas tem criado um espaço necessário para a reflexão e o exercício de diversos papéis antes da finalização deste processo. […]. Nas sociedades modernas isto é dado principalmente na escola onde os adolescentes podem pensar seriamente sobre os seus planos para o futuro, sem fazerem escolhas irreversíveis».

 

Um grande número de adolescentes, tem uma evolução incompleta por terem entrado excessivamente rápido na vida adulta, sem um amadurecimento interior, que só poderia ter sido facultado por uma boa vivência neste estágio e nos seus diferentes aspectos.

«Embora a construção da identidade se realize ao longo do ciclo da vida, constitui uma tarefa específica desta idade» (Manuela Monteiro; Milice Ribeiro dos Santos, 2001: p.38). Eis um outro ponto que confere bastante importância a este estágio, visto que é neste que se dá a construção da identidade, o sentimento da identidade, o qual é conforme Erikson «[…] o sentimento de ser o mesmo ao longo da vida, atravessando mudanças pessoais e ocorrências diversas». ( Apud. Manuela Monteiro; Milice Ribeiro dos Santos, 2001: p.55) A identidade dá assim um sentido histórico à existência, a qual se constrói tendo por base as representações feitas sobre nós, bem como as interacções e os confrontos entre as representações que os outros fazem de nós e as que nós fazemos de nós próprios. «O agente interno activador na formação da identidade é o Ego, em seus aspectos conscientes e inconscientes». (Calvin S. Hall; Gardner Lindzey; John B. Campbell, 2000: p173) O ego neste estágio tem a peculiaridade de apurar e inteirar talentos, aptidões e habilidades na identificação com pessoas semelhantes a nós e na acomodação ao ambiente social. A chave para a resolução da crise de identidade que pode fazer com que o adolescente se sinta isolado, vazio, ansioso e indeciso, reside assim, na interacção com pessoas significativas, que são escolhidas e são parte integrante da construção da sua identidade adulta.

Segundo o site já referido os problemas no desenvolvimento da identidade podem culminar numa identidade difusa, caracterizada por «[…]uma noção do eu incoerente, desarticulada e incompleta», numa identidade bloqueada, caracterizada pela «[…] não permissão do período normal de moratória por questões sociais, familiares e/ou pessoais» e finalmente numa identidade negativa, em que «O adolescente selecciona identidades que são indesejáveis para a família e sua comunidade».

O versus negativo menciona os aspectos, sentimentos relacionados à confusão/difusão de quem ainda não se descobriu a si próprio, e não sabe o que pretende, tendo dificuldade em optar.

É de se referir que nesta idade emergem um conjunto particular de valores a que Erikson denominou por fidelidade«A fidelidade é a cacidade de manter lealdades livremente empenhadas, apesar das inevitáveis contradições dos sistemas de valor» (Apud., Calvin S. Hall; Gardner Lindzey; John B. Campbell, 2000: p.173), assim como, na recta final da adolescência é que se obtém uma “identidade realizada”, igualmente conhecida por identidade adquirida.

Para findar refiro que a ritualização correspondente a este estágio é a ideologia e que a perversão da mesma é o totalismo, traduzindo-se a primeira pela solidariedade de convicção e a segunda na preocupação pelo que parece ser inquestionável.

 

6ª Idade: Intimidade Versus Isolamento

 

No concernente ao sexto estágio, que se refere à intimidade Versus Isolamento, há a dizer a título introdutório que

 

«[…] os jovens adultos estão preparados e dispostos a unir a sua identidade a outras pessoas. Eles buscam relacionamentos de intimidade, parceria e associação, e estão preparados para desenvolver as forças necessárias para cumprir esses cumprimentos, ainda que para isso tenham de fazer sacrifícios». (Calvin S. Hall; Gardner Lindzey; John B. Campbell, 2000: p.174)

 

Em grosso modo pode-se afirmar que esta idade ocorre dos 18/20 aos 30 e tal anos, e na qual o jovem almeja estabelecer relações de intimidade com os outros e adquirir a capacidade necessária para o amor íntimo.

Este estágio caracteriza-se pelo facto de pela primeira vez o indivíduo poder desfrutar de uma genitalidade sexual verdadeira, mutuamente com o alvo do seu amor. Tal situação deve-se à realidade de que o indivíduo nos estágios anteriores limitava-se à demanda da identidade sexual e a um anseio por intimidades efémeras. É então a idade de jovem adulto que, com uma identidade assumida, possibilita o estabelecer de relações de intimidade com os outros, em que o amor é a virtude dominante do universo, pois apesar de estar presente nos estágios anteriores, neste ganha nova textura. A força do ego depende do parceiro com que está preparado para compartilhar situações tão peculiares como a criação de um filho, a título exemplificativo.

Os indivíduos encaram a tarefa desenvolvimental de construir relações com os outros numa comunicação profunda expressa no amor e nas relações de amizade.

A vertente negativa traduz-se no isolamento de quem não consegue partilhar afectos com intimidade nas relações privilegiadas. «O perigo do estágio da intimidade é o isolamento, a evitação dos relacionamentos, quando a pessoa não está disposta a comprometer-se com a intimidade». (Calvin S. Hall; Gardner Lindzey; John B. Campbell, 2000: p.174) Ainda na óptica destes autores um senso temporário de isolamento é uma vantagem para a realização de escolhas, todavia, isso pode culminar em graves problemas de personalidade.

No tocante a este sexto estágios referimos para concluir, que à luz dos eruditos contemporâneos Calvin S. Hall, Gardner Lindzey, John B. Campbell, (2000: p.174)

 

«A ritualização correspondente desse estágio é a associativa, isto é, um compartilhar conjunto de trabalho, amizade e amor. O ritualismo correspondente, o elitismo, expressa-se pela formação de grupos exclusivos que são uma forma de narcisismo comunal»

 

7ª Idade: Generatividade Versus Estagnação

 

É um dos mais extensos estágios psicossociais e resume-se no conflito entre educar, cuidar do futuro, criar e preocupar-se exclusivamente com os seus interesses e necessidades. Usualmente dá-se desde os 30 aos 60 anos, não havendo porem uma idade comum a todas as pessoas. (Luís Rodrigues, 2001:p.283) A questão – chave na 7ª idade pode formular-se de várias formas: «Serei bem sucedido na minha vida afectiva e profissional?»; «Produzirei algo com verdadeiro valor?»; «Conseguirei contribuir para melhorar a vida dos outros?».                A generatividade denota a possibilidade de se ser criativo e produtivo em diversas áreas da vida. Bem mais do que educar e criar os filhos representa uma preocupação com o contentamento das gerações seguintes, uma descentração e expansão do Ego empenhado em converter o mundo num lugar melhor para viver, como tal, a generatividade representa o desejo de realizar algo que nos sobreviva. (Luís Rodrigues, 2001:p.280)                                                                                             Se o desenvolvimento e descentração do Ego não ocorre, ou seja, se se dá o fracasso na expansão da generatividade, o indivíduo pode estagnar, preocupar-se quase unicamente com o seu bem-estar e a posse de bens materiais. O egocentrismo é para Erikson, sinónimo de ineficácia e de decadência vital precoce. O egocêntrico fecha-se nas suas ambições e pouco ou nada dá de si aos outros. (Luís Rodrigues, 2001: p.283) Para findar e segundo Calvin S. Hall, Gardner Lindzey, John B. Campbell, (2000: p.175)

 

«A ritualização deste estágio, que é a ritualização de paternidade/maternidade, produção, ensino, cura e assim por diante, papeis em que o adulto age como transmissor de valores ideais para os jovens. As distorções da ritualização geracional se expressam pelo ritualismo do autoritarismo. O autoritarismo é o confisco ou a usurpação da autoridade incompatível com o cuidado».

 

A virtude própria deste estágio é o cuidado, a inquietação com os outros, o querer fazer algo por alguém.

8ª Idade: Integridade Versus Desespero

 

A última idade do desenvolvimento psicossocial é marcada por um olhar retrospectivo, que faz com que, ao aproximarmo-nos do final vida sentamos a necessidade de aquilatar o que dela fizemos, revendo escolhas, realizações, opções e fracassos. (Luís Rodrigues, 2001: p.283) Nesta etapa da vida a questão que se coloca é «Teve a minha vida sentido ou falhei?». Esta última idade ocorre frequentemente a partir dos 60 anos.

Na duplicidade emocional «integridade versus desespero», a integridade indica que o indivíduo considera positivo o seu percurso vital, ou seja, toma consciência que a vida teve sentido e que foi feito o melhor possível dadas as circunstâncias e as suas capacidades. (Luís Rodrigues, 2001: p.280) Reconcilia-se com a mágoa e a angústia, e encara a existência como algo positivo. Segundo Erikson, «[...] o possuidor de integridade está preparado para defender a dignidade do seu próprio estilo de vida contra todas as ameaças físicas e económicas».(Erikson, Apud., Manuela Monteiro; Milice Ribeiro dos Santos, 1999: p.183)   

Se o avaliamento da existência é negativa, se sentimos que desaproveitamos o nosso tempo e não concebemos quase nada, existe o desejo de retroceder, de readquirir as oportunidades perdidas, de reformular opções e escolhas. Ao conjecturar que é demasiado tarde, pode instalar-se o desgosto, a angústia, o pânico da morte. (Luís Rodrigues, 2001: p.283) A ritualização neste último estágio, pode ser chamada de integral. Ao tentar encontrar um ritualismo correspondente, Erikson sugere o sapientismo«a tola pretensão de ser sábio». (Calvin S. Hall; Gardner Lindzey; John B. Campbell, 2000: p.175) A sabedoria é a virtude resultante da última fase da vida, a percepção de que não vivemos em vão, «A sabedoria, então, é a preocupação desprendida com a vida em si». (Erikson, Apud., Calvin S. Hall; Gardner Lindzey; John B. Campbell, 2000: p.175)