Kohlberg foi professor na Universidade de Chicago, bem como na Universidade Harvard. Especializou-se na investigação sobre educação e argumentação moral, sendo mais conhecido pela sua teoria dos níveis de desenvolvimento moral. Muito influenciado pela teoria do desenvolvimento cognitivo de Jean Piaget, o trabalho de Kohlberg refletiu e desenvolveu as ideias de seu predecessor, ao mesmo tempo criando um novo campo na psicologia: “desenvolvimento moral”.

Ainda em 1971, contraiu um parasita tropical em Belize enquanto fazia um trabalho transcultural. Como resultado disso, ele lutou contra a dor física e a depressão pelo resto de sua vida. Em 19 de janeiro de 1987 ele pediu um dia de alta do hospital de Massachusetts onde fazia tratamento, dirigiu até o Harbor de Boston, estacionou seu carro em uma rua sem saída, e mergulhou no mar. Tendo aparentemente cometido suicídio, faleceu aos 59 anos de idade.

O desenvolvimento do raciocínio ou reflexão moral

•O raciocínio moral, refere-se ao modo como consideramos certo ou errado um determinado acto.

•O modo como o raciocínio moral ou juízo de valor moral se desenvolve, diz respeito à idade em que a criança poderá ser considerada moralmente responsável.

Perspectiva cognitiva do desenvolvimento

•Os trabalhos realizados nesta área foram iniciados de forma pioneira por Piaget e Kohlberg.

 

A teoria de Piaget

•Na nossa prática educacional, perguntamo-nos frequentemente como as crianças lidam com as regras (de jogo ou sociais). E mais: o que podemos esperar de cada idade do desenvolvimento humano, no que diz respeito às relações da criança com os aspectos da justiça e da moral.

•Piaget debruçou-se sobre estas questões e, a partir das suas experiências e observações, propôs que a forma pela qual as crianças lidam com as regras, com a justiça e a moral, varia no decorrer do processo de desenvolvimento.

Os três estádios de Piaget

Piaget estabeleceu três estádios de consciência infantil das regras:

1. até aos 4 ou 5 anos -as regras não eram compreendidas.

2. dos 4/5 aos 9/10 anos -as regras tinham origem numa autoridade superior (por exemplo, adultos,

Deus, Câmara Municipal) e não podiam ser alteradas.

3. dos 9/10 anos em diante – as regras eram estabelecidas por mútuo acordo dos jogadores e por essa razão podiam ser mudadas caso todos os jogadores concordassem.

Piaget concluiu…

Crianças diferentes adquiriram versões diferentes das regras e, ao jogarem juntas, essas discrepâncias tornar-se-ão evidentes e terão de ser resolvidas. De acordo com Piaget, este contacto com pontos de vistas divergentes constituía um elemento crucial para o desenvolvimento da moralidade autónoma de reciprocidade.

 

Teoria de Kohlberg

•Kohlberg investigou o desenvolvimento do raciocínio moral, com base em dilemas.

•Com base nestas questões e dilemas, Kohlberg postulou 3 níveis de raciocínio moral cada um deles subdivididos em 2 estádios, perfazendo um total de 6 estádios.

 

Nível 1: Moralidade Pré-Convencional

Neste nível, o indivíduo raciocina em relação a si mesmo e ainda não compreendeu ou integrou totalmente as regras e expectativas sociais.

 

1- Estádio do castigo e da obediência:

Evitar infringir regras que acarretem punições, obediência em si mesma, evitar danos físicos a pessoas e bens.

 

2- Estádio do objectivo instrumental individual e da troca:

Seguir as regras apenas quando se trata do interesse imediato de alguém; agir por forma a satisfazer os próprios interesses ou necessidades e deixar os outros fazerem o mesmo.

 

Nível 2: Moralidade Convencional

Neste nível o indivíduo considera correcto aquilo que está conforme e que respeita as regras, as expectativas e as convenções da sociedade.

 

3- Estádio das expectativas interpessoais mútuas, dos relacionamentos e da conformidade:

Corresponder às expectativas das pessoas mais próximas ou àquilo que as pessoas geralmente esperam dos indivíduos na nossa posição. “Ser bom” é importante e significa ter boas intenções, mostrar interesse pelos outros e estabelecer relações recíprocas como a confiança, a lealdade, o respeito e a gratidão.

 

4- Estádio da preservação do sistema social e da consciência:

Cumprir os deveres com os quais concordámos. As leis são para ser cumpridas , excepto em casos extremos, em que entrem em conflito com outros deveres sociais estabelecidos.

 

Nível 3: Moralidade Pós-Convencional

Um indivíduo situado neste nível compreende e aceita as regras da sociedade na sua globalidade, mas apenas porque primeiramente aceita determinados princípios morais gerais que lhes estão subjacentes. No caso de um desses princípios entrar em conflito com as regras da sociedade, o indivíduo julgará com base nesse princípio e não na convenção social.

 

5- Estádio dos direitos originários, do contrato social ou da utilidade:

Ter consciência de que as pessoas defendem diferentes valores e opiniões, de que grande parte dos valores e das regras são específicos de determinado grupo embora devam ser normalmente respeitados afim de se garantir a imparcialidade ou isenção, até porque fazem parte do contrato social. Determinados valores e direitos não específicos como a vida e a liberdade, porém, têm de ser forçosamente defendidos em qualquer sociedade, independentemente da opinião da maioria.

 

6- Estádio dos princípios éticos universais:

Seguir princípios éticos por nós escolhidos. As leis particulares ou os acordos sociais são normalmente válidos porque se baseiam nesses princípios.

Quando as leis violam esses princípios, agimos de acordo com o princípio. Os princípios são premissas universais de justiça: igualdade dos direitos humanos e igualdade do ser humano enquanto indivíduo.

 

As primeiras críticas da Teoria de Kohlberg

As críticas apresentadas dão conta das limitações do modelo cognitivo/estruturalista, não colocando empõem em causa o próprio modelo, numa tentativa de superar as respectivas falhas ao nível do modelo ,como é o caso da falta de “ligação” entre o raciocínio moral e a própria experiência do sujeito, inscrita numa complexidade relacional e contextual.

 

Revisões posteriores da teoria de Kohlberg

Kohlberg reviu a sua teoria para dar resposta a estas críticas, criando então um novo sistema de classificação designado Avaliação, ou Índice. Este sistema avalia de forma individual, e com referentes claros, as respostas do item seleccionado dadas por determinado indivíduo para cada dilema.